segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Mulheres e seus monstros - Ilustrações de Polly Nor

(Babe You're Going To Be Fine)

Ansiedade, depressão, inseguranças, ciúmes, medos, desorganização. Quantos monstros uma mulher pode ter? Quantos deles uma mulher consegue suportar? Quais deles convivemos com e aceitamos à luz do dia? E quais deles acorrentamos às sombras, ignorados, negligenciados, esquecidos? A artista Polly Nor traz esses monstros à tona com suas ilustrações recheadas de cor e significado.

domingo, 8 de setembro de 2019

Jamais estou sozinha


Visto meu casaco, arrumo minha franja pelo reflexo da janela da cozinha, pego as chaves de casa e parto de meu apartamento. Enquanto me aproximo do portão principal, noto a ausência dos raios solares, que se despedem e se transformam em mais um adorável crepúsculo. As cores de Outono que fecham o Verão me avisam que ao final de cada dia damos um passo em direção à escuridão, logo é chegada a hora de me preparar para não ser apanhada por entre sombras - minhas sombras.

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Pai, você é um homem completo


Pai, estou escrevendo estas palavras para você, mas gostaria que o significado, o peso e a importância que elas carregam pudessem ser lidas pelos olhos de outros pais, de seus filhos e de futuros netos; que essas palavras atravessassem a alma de todo e qualquer homem, para que então homens pudessem finalmente se tornar.

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Borra de café, esfoliação e minimalismo


Quem bem conhece meu blog, sabe que não falo sobre temas como cosméticos, beleza, moda e afins - apesar das várias mudanças de nicho que esse espaço já sofreu hehe. Mesmo assim, quis muitíssimo compartilhar minha experiência em ter esfoliado meu rosto com borra de café, e não meramente tratando do assunto beleza em si, mas trazendo uma reflexão que vai além disso.

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Como Paris me conquistou


Parece fácil ser conquistado por Paris, não? Afinal, crescemos recebendo todos os tipos de estímulos que nos fazem idealizá-la como uma cidade extremamente romântica, apaixonante e bela por sua arquitetura e elegância. E por mais que Paris seja extremamente charmosa, já cansei de escutar franceses e expats reclamando sobre a vida por aqui - se bem que ouvir franceses reclamando já não é novidade hehe. Bem, e por que eu fui acertada por uma flecha da paixão pela vida parisiense?  Segue abaixo alguns dos motivos:

domingo, 25 de agosto de 2019

Conheça a mulher que realmente sou


Bem-vindo à intimidade do meu lar, da minha cozinha, da chaleira elétrica, da geladeira verde-água que colore minhas manhãs e dos ovos fritos que, pela primeira vez, ficaram no ponto que gosto. Fique à vontade na companhia de meus pés descalços, que amam o piso gelado - que ainda não varri. Conheça o saco de lixo preto, que me escuta dizer "amanhã te levo para baixo" já faz dois dias. Sinta-se convidado para conhecer o jeans que uso em casa, que é o mesmo que visto para trabalhar, para fazer compras na feira e para tomar um pint de IPA no Le Marais. Diga "olá" para a franja que cortei no banheiro de casa com uma tesoura escolar sem pontas, e que ficou cool demais. Conheça a mulher que sou. Conheça a mulher que realmente sou, e não a que esperam que eu seja.

domingo, 18 de agosto de 2019

Black/White/Wine


As luzes estão desligadas. Estou deitada no sofá da sala de estar. Minhas pernas repousam sob o encosto, e minha nuca se molda à beirada do assento. Suspensos pela gravidade, meus cabelos negros se alongam sob o tapete e se entrelaçam com a escuridão onde me encontro. O silêncio perturbador faz ecoar a conversa fúnebre dos corvos e o bater torturador dos ponteiros do relógio. Já não tenho noção do tempo, mas mantenho meus olhos direcionados à ampla janela que se encontra logo à frente. As cortinas estão totalmente abertas, permitindo que a luz da quase cheia lua ilumine as cadeiras cristalinas, a mesa de vidro, o piso branco e gelado, que como tela de artista, arte se torna ao receber os respingos do meu vinho tinto, o remédio para minha insônia. Suspiro e sinto a expansão de meu peito pálido, que deixa escapar o hálito embriagado por entre lábios manchados de bordô. Ouço um carro se aproximando ao longo da rua. É notável o ruído dos pneus que se arrastam sob as pedras molhadas do pavimento em meio à mansidão túrbida. A luz dos faróis anuncia sua chegada em minha morada, e por alguns segundos, desenha sob as paredes a silhueta da moldura da janela, que se move de um canto ao outro e que vai embora junto ao carro, deixando-me só, mais uma vez afogada em escuridão. O espetáculo de luzes e contornos chega ao fim, e volto a observar a janela. O curto movimento de meus olhos faz verter uma lágrima, que cruza gentilmente minha sobrancelha e desliza pelo canto da testa. Enquanto a lágrima desfila, meu rosto permanece inerte, apático, aceitando e acolhendo a dor. A lua está quase terminando seu turno. Suspiro novamente. Fecho meus olhos. Boa noite, amanhecer.

Ilustração: Tomer Hanuka
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