terça-feira, 27 de novembro de 2018

Trilogia: pensamentos


Quais são seus pensamentos diários? Aqui dentro dessa cabeça avoada tem um pouco de tudo. Sonhos, medos, planos, bloqueios, e todos eles são importantes e fazem parte de quem sou, como também da minha evolução - da minha "desumanização". Dar voz a esses sentimentos me fazem compreender melhor minhas reações e me ajudam a controlá-las.

Eu tenho um sério problema com barulhos - quando eu digo que sou problemática, vocês não fazem noção. Pessoas comendo, batucando, falando sem parar podem despertar uma Amanda muito, mas muito irritada, e isso com certeza traz um prejuízo para minha vida social. Convivo com isso há 10 anos e confesso que não aprendi muito bem a lidar com tudo isso ainda.


Sabe medo? É isso que sinto enquanto ando nas ruas de Porto Alegre qualquer cidade. Sou mulher, sou pequena, sou frágil fisicamente falando, e não estaria preparada para lutar contra a força de um homem. Tenho medo toda vez que coloco os pés na ruas e me deparo com olhares sugadores, primitivos, desrespeitadores, que me oprimem e me invadem. Invadida: é assim mesmo que me sinto, e não preciso ser tocada para sentir isso. Estou cansada de me preocupar com a forma que me visto. Não quero me cobrir, nem perder minha essência. Quero ser livre para apenas ser, sem me sentir culpada pela minha beleza e liberdade.


E no meio desse turbilhão de pensamentos, há uma Amanda com vários pontos de vista; uma Amanda que, na maior parte do tempo, julga os próprios pensamentos, então nos encontramos em um looping vicioso de pensar, de se sentir culpada por pensar, de se sentir culpada por se sentir culpada, e de pensar novamente. Até que, na beira do colapso, eu me acalmo, respiro fundo e vejo que tá tudo bem; que ninguém sabe o que está fazendo, e que eu também não sou obrigada a saber.

Começo, então, a aprender a não julgar meus pensamentos, a deixá-los fluir, ir e vir; a compreendê-los, conversar com eles, ao invés de meramente colocá-los em uma caixa selada e fugir. Estou aprendendo a lidar com essa nova fase de compreensão do que sou. Poderia dizer que é um trabalho doloroso, mas não o vejo dessa forma. Cada vez que converso com meus pensamentos, me sinto mais leve, e minha visão, mais clara. E assim sou capaz de entender que meus pensamentos são a chave para minha evolução.

Um comentário:

  1. Amanda, me identiquei com alguns dos seus pensamentos. Eu também sinto medo, muito medo. Às vezes me sinto culpada por sentir medo, porque parece que estou julgando a pessoa que está me olhando, mas a culpa não é nossa. Parece que a qualquer momento seremos vítimos de qualquer coisa ruim e eu também me sinto exausta por ter que me preocupar com o que vestir, por onde passar, que horas voltar... Infelizmente, é nossa realidade.
    E também penso muito e me cobro muito. Mas estou aprendendo a relaxar e entender que está todo mundo meio perdido também.
    Amei a forma que fotografou e expressou esses pensamentos. Parabéns! Você arrasa como sempre!
    Beijos
    Tamara
    tamaravilhosamente.com

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