quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Enquanto não descubro, apenas sigo


Tenho certeza de que as palavras que estão por vir doerão mais em mim do que em você. Por mais que eu esteja seguindo meus sonhos, impulsos, inconstâncias, loucuras?, sei que não estou pensando nem um pouco no seu lado, e é quando aquela culpa e auto julgamento brotam, gritam e piscam em vermelho neon egoísta, individualista, trouxa. Acho que você aprendeu a lidar com este meu eu antes que eu pudesse notar que sou assim, e sou perpetuamente grata por isso. Obrigada por entender que procuro algo que ainda não descobri; que tenho saudades de coisas que ainda não vivi.

Não é que eu queira dizer adeus, largar tudo e vestir a camisa de rebelde inconsequente que a mim foi dada. Eu apenas não sei onde pertenço e tenho muito medo; um leque de medos que completou 360º e continuou se abrindo. Acho que meu maior medo é sentir tédio, e é por isso que venho me comportando assim; é por isso que estou dando este rumo à minha vida. Tenho medo de largar minha âncora e seguir esse protocolo. Eventualmente terei de partir para descobrir que meu lar é qualquer novo ar; que minha alma é fugir; que minha paixão dói, e que estou batalhando para sentir essa dor.

Ainda tenho visões dos meus momentos mais felizes, que me atacam subitamente e só me deixarão sorrir novamente quando perto deles eu estiver. E se eu não sorrir? E se eu não descobrir o meu chamado? Não sei o que esperar, mas sei que nada me espera, e isso me dá a liberdade para descobrir meus lemas, meus guias, minha escuridão e minhas estrelas, e enquanto tento vagarosamente sair da névoa, eu sigo; apenas sigo. Acredito no resultado dessa escolha; tenho que acreditar, pois é a única que resta. Você já descobriu seu destino? Eu não, exceto o de tornar minha vida uma forma de arte. Eu sou tudo o que você tem medo de ser. Eu sou instável, mas eu sou livre.

18 comentários:

  1. Oii Amanda!! Parabéns pelo seu texto! Acho que eu li no momento certo. Ando nessa fase de me soltar porque o medo do tédio anda quase me sufocando. Me vi muito nas tuas palavras! Que possamos cada vez mais nos libertamos de todas essas âncoras que nos prendem em lugares que não nos agrega mais. Super curti teu texto. ;*

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    1. Obrigada, Rebeca! Libertação: essa é a palavra-chave!

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  2. Oi Amanda!
    Isso meio que parece fim de relacionamento. É ficção ou realidade?
    Acho que o desprendimento da vida nos torna livre. É liberdade vem com consequências.
    Tá ai a beleza da vida. Apenas seguir. O que é melhor do que estar parado.
    Adoro o jeito que tu escreve.

    Um beijo,
    https://nitente.com

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    1. Oii, Débora! Não, não é fim de relacionamento. Na verdade é uma carta para minha família explicando porque estou saindo do país, e porque estou levando minha vida desviando de seus padrões e aspirações :)

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  3. Entendo como se sente. Eu tenho espirito aventureiro. Crio 1001 projetos, faço parte de diversos grupos. Amo refletir, autoanalisar-me, viajar em meus pensamentos e viajar de verdade. Vou dizer pra você que eu descobri quem eu realmente sou QUANDO NÃO TINHA NINGUÉM ME OLHANDO. Aos 19 livros eu li um livro chamado "Quem é você quando ninguém está olhando". Eu tinha uma boa noção de quem eu era, mas ainda havia muito a ser descoberto. Foi quando ganhei uma bolsa pra estudar numa universidade britânica por um ano que eu vivi o ANO DA MINHA VIDA. Lá, longe de tudo e todos, descobri quem eu era e fiquei orgulhosa do que descobri. Aquele ano foi tão intenso, que senti como se tivessem se passado 5 anos. Como amadureci. Fui muito responsável com minhas escolhas lá. Mesmo estando longe da família e podendo fazer DAR UMA DE MARIA, não fiz. No Brasil, eu já sabia que NUNCA fui do tipo maria-vai-com-as-outras. E na Inglaterra isto se confirmou. :D Autenticidade. Acho esta palavra poderosa.

    Creio que com o tempo vamos descobrindo qual é nossa missão aqui, para que fomos criados. Temos que estar atentos aos sinais. Eu sei que já cumpri vários "pedaços" de minha missão aqui e continuo bem ligadinha para notar as oportunidades que farão com que eu cumpra os próximos pedaços.

    Esta "instabilidade" tem seus benefícios. Você vai descobrir seu caminho. Tenho certeza. Apenas procure no lugar certo.

    Bjinhos,
    www.paulamusique.com

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    1. Que lindo, Paula! É tão bom quando nos damos o direito de nos descobrirmos, não? Parabéns pela tua história <3

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  4. Oi, Amanda! Tudo bom?

    Embora eu perceba as divergências das situações, também percebo suas semelhanças: seu texto fez com que eu lembrasse muito de como eu mesma lido com a vida - e como eu sempre sinto que preciso justificar minhas escolhas para quem se contenta com o que tem aqui e agora. Eu sempre quero mais, sempre quero de tudo um pouco, contando que me preencha, que faça com que eu me sinta viva... O que importa é, de fato, continuar seguindo.

    Abraços,
    Gislaine | <a href='http://www.literalize-se.com/>Literalize-se</a>

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    1. Essa é questão, procurar o contentamento próprio, e não alheio <3

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  5. Lindo texto! É sempre complicado esses momentos, eu sempre me pergunto qual será o meu chamado e se um dia vou finalmente ter a resposta para essa pergunta, mas seguimos um dia de cada vez. :D

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    1. Seguindo e sendo feliz; estando contente: isso é o que importa!

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  6. Oi Amanda, tudo bem? Que texto mais intenso. Por mais que estejamos presos à uma situação, pessoa ou momento de nossas vidas as vezes é preciso soltar e seguir em frente. Somente assim o caminho será diferente. Beijos, Érika =)

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  7. Também me sinto instável e livre, ao mesmo tempo querendo coisas novas e não querendo, precisamos realmente conhecer a nós mesmos, por mais que seja difícil , no final tudo se torna mais tranquilo! Lindo o texto! Kissus

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  8. Às vezes eu sinto que não dá pra ser livre sendo estável. Claro, um pouquinho de estabilidade em alguns aspectos é bom, mas a gente não pode se prender a tudo o que esperam da gente... Na verdade a gente não pode se prender nem a tudo que A GENTE espera da gente!
    Então vista a camisa de rebelde que te deram e vai seguindo. Talvez você não descubra o que precisa ser descoberto, mas vai descobrir um monte de outras coisas!

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    1. Isso mesmo! Serendipity: finding something good without looking for it <3

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  9. Muito intenso seu texto. Consegui me identificar com muita coisa nele. Sobre medos, sobre descobertas, sobre "tornar minha vida uma forma de arte". Acredito que ser instável é algo que nos torna pessoas únicas, livres de toda monotonia, o que possibilita vivermos uma vida muito mais leve e interessante! <3

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    1. Verdade, Cintia! E acho que esse comportamento vem se alastrando na nossa geração <3

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