domingo, 21 de julho de 2019

Quatro meses na França - algumas reflexões


Sabia que esse post chegaria, e estava ansiosa para desenvolvê-lo; ansiosa para estabelecer um comparativo entre algumas Amandas nesses últimos meses. A Amanda no dia que comprou uma passagem só de ida para França, a Amanda no avião, a Amanda chegando na França, a Amanda duas semanas depois (que inclusive criou o post Duas semanas na França - Primeira impressão), e as várias Amandas que surgem após. Quatro meses depois, aqui estou, uma Amanda bem diferente e ciente de que outras Amandas ainda estão por vir.

SOBRE TER SIDO AU PAIR

Nesses últimos quatro meses fui Au Pair em uma família francesa (se você não sabe o que é esse lance aí, clica nesse link aqui). Se o programa correspondeu às minhas expectativas? Não, foi tudo bem diferente do que eu idealizava. Se acho isso ruim? Não mesmo! Essa experiência foi exatamente o que eu estava precisando. Sou grata pelo acolhimento da família, mas descobri que não faço perfil Au Pair. Cada experiência é uma, e não sou o tipo de pessoa que generaliza situações, logo as conclusões que tiro são apenas minhas, e somente eu posso chegar a elas. Como cada experiência é uma, posso dizer que a minha não se resume tanto a momentos agradáveis e diversão, e sim a muito aprendizado (ô, se aprendi). Aprendi sobre mim mesma, meus limites, meus gostos, minha personalidade, meus valores, minhas fraquezas. Aprendi também sobre os limites alheios, e posso afirmar que hoje em dia consigo equilibrar em uma balança a Amanda de um lado e as pessoas que me cercam de outro. Aquele jogo de entender o próximo sem esquecer de si mesmo; sem esquecer do tal auto-respeito e de suas próprias opiniões. Basicamente, lembrar que você também existe.




SOBRE UMAS HABILIDADES NOVAS

Quatro meses fora da zona de conforto pode te trazer muitos aprendizados, e o primeiro que quero citar é o fato de ter aprendido Francês nesses 04 meses que aqui estou. Obviamente, não falo tão bem, e erros gramaticais e falta de vocabulário ainda fazem parte do meu cotidiano, e sei que ainda vou lidar com isso durante um bom tempo, contudo consigo me desenrolar em conversas do dia-a-dia. Se fiz curso de Francês antes de vir? Não. Se estou fazendo curso enquanto estou aqui? Também não. Para ser sincera, assisti a algumas aulas em uma escola aqui perto, mas comecei a ficar com tédio, logo, desisti. Notei que aprendia mais conversando com as pessoas ao meu redor, estudando por conta e assistindo a uns vídeos no YouTube. Imersão é uma benção!

Outra coisa que aprendi foi a cozinhar! Como Au Pair, uma das minhas tarefas diárias era preparar a janta, então fico bem contente quando coloco um prato sob a mesa e digo "fui eu que fiz", com aquele sorrisinho orgulhoso. Porém, não vá pensando que são uns pratos nível MasterChef, pois descobri que amo cozinhar com simplicidade - e sem fazer muita sujeira. Talvez você não saiba ainda, caro leitor, mas sou uma pescetariana migrando para o vegetarianismo, e amo comer tudo o que vem da terra. Morando aqui na França, descobri um amor por saladas que não pensava ser possível. Antes de vir para cá, a palavra "salada" me soava como uma comida sem graça e voltada para dietas, porém, descobri aqui que esses produtinhos da terra, na verdade, podem ser extremamente apetitosos como prato principal. E acredite, minha mente alimentar mudou tanto ao ponto de preferir saladas a pizza na maior parte das ocasiões; ao ponto de eu voltar de festa na madrugada só pensando nos tomates fresquinhos dentro da geladeira.

SOBRE CRENÇAS

Criada em uma família católica e bastante praticante, nunca fui a filha que ia contente para a igreja com meus pais, do contrário, brigava muito com eles sobre o fato de não me considerar católica, mesmo tendo sido batizada, feito a 1ª Eucaristia e (pasmem!) Crisma. Como eu não me encaixava nesse meio, nunca soube ao certo onde encontrar minha espiritualidade, isso se algum dia eu encontraria. Enquanto Au Pair, minha rotina virou de cabeça para baixo, e tive bastante tempo em solitude para refletir e ler sobre essas questões. Apesar de nunca ter me rotulado como praticante de alguma religião, sempre tive um posicionamento com relação a minha crença, foi quando descobri que praticamente tudo que acredito se encaixa em Wicca, principalmente porque essa religião é mutável e estimula seus praticantes a vivenciarem Wicca da sua própria maneira.

Quando comento sobre Wicca, algumas pessoas me perguntam com olhos arregalados "ah, satanismo?". É em momentos como esse que noto a falta de entendimento sobre Wicca e a distorção de sua essência. Como o post de hoje não é sobre a religião Wicca, não vou me desenrolar muito sobre o tema, porém, a quem interessar, deixo aqui o site Wicca Living, que introduz de forma muito simples e clara a religião e seus principais aspectos. O site é escrito em Inglês, então já fica aí uma oportunidade de praticar sua leitura em língua inglesa e aprimorar seu vocab.

UMAS DICAS AMIGAS

1. Muitas vezes fui rotulada pela minha nacionalidade. É só dizer je suis brésilienne que um turbilhão de palavras como "samba", "Carnaval", "Rio de Janeiro" e "Neymar" começam a sair das bocas alheias de forma aleatória, enquanto tentam dançar o que eles chamam de samba. As pessoas têm uns esteriótipos bizarros quanto ao Brasil e aos brasileiros, ao nível de não acreditarem que sou brasileira porque minha pele é branca. Nesses momentos, compreensão, paciência e tolerância são a solução :)

2. Em momentos de fraqueza, saudades e crises existenciais, lembre-se: uma noite de sono é um ótimo remédio. Além disso, conversar com família e amigos, mesmo que por Skype, pode ser terapêutico; só colocar para fora o que tá aí dentro.

3. Praticar mindfulness é renovador. O simples fato de largar tudo o que você está fazendo e tirar uns minutos para sentir seu corpo, sua respiração e o movimento do seu corpo enquanto respira, pode mudar o seu dia. Deixar os pensamentos irem e virem sem julgá-los. Se você compreende Inglês e topa dar uma chance para essa prática, baixe o app HeadSpace e comece agora mesmo. Você não precisa de um tapete especial, nem anos de prática em meditação, apenas a vontade de sentir sua mente plena.

4. Você vai encontrar pessoas genuinamente boas no meio do seu caminho. Pessoas que querem te ajudar sem pedirem nada em troca. Que isso se torne um lembrete de que você também pode ser genuinamente bom.

5. Você também vai encontrar pessoas com as quais você não se dá tão bem, e isso não se torna necessariamente uma questão dualística sobre quem é certo ou errado. Suas frequências apenas não batem muito bem, e tá tudo bem, prometo :)

6. Ser grato é a melhor coisa que você pode fazer por você mesmo.

AU PAIR ACABOU. E AGORA, AMANDA?

E agora? Bem, agora vou fazer o que vinha planejando nesse último ano: dar aulas de Inglês no exterior. Como mencionei no post Au revoir, Brésil - Minha mudança para França, a primeira etapa seria me aventurar no mundo Au Pair, e uma vez que essa etapa estivesse completa, eu poderia prosseguir com o plano principal: procurar emprego como teacher. Daqui alguns dias me mudarei para Paris para trabalhar em algumas escolas. Por que Paris? Simplesmente porque é a capital do país, o que implica em mais oportunidades de emprego. Sobre minhas expectativas... bem, expectativa zero. Se algo aprendi, é que idealizamos demais tudo o que acontecerá em nossas vidas, e é aí que mora o perigo, então vou apenas esperar tranquilamente o dia de embarcar no trem enquanto assisto a algumas séries e tomo meu chimarrão. À tout à l'heure!

3 comentários:

  1. Que post lindo Amanda! Acompanhei toda a sua experiência pelas redes e pelo blog e fico muito feliz por seu amadurecimento e crescimento pessoal (estou nessa fase também!). Boa sorte na nova jornada como professora em Paris (também sou professor de Inglês aqui em minha cidade no Brasil), arrase, curta e viva os melhores momento. E o principal, seja muito feliz <3

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    Respostas
    1. Muito obrigada, Guilherme! Muito obri por toda a positividade e apoio <3 Desejo sucesso para ti também :)

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  2. Eu amo seu blog e quero viver aqui. haha Pelo post parece que foi uma experiencia com muitos aprendizados e muito bom, o que é obvio, mas que não necessariamente foi perfeito (aliás o que seria a perfeição, né?).
    Boa sorte e muita luz no seu caminho! Que muitas Amandas vão chegar e ir, mudanças são necessárias.

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